quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Consolidação

Não se procure no próximo, pois estamos em nós mesmos.
Nosso eu está onde menos esperamos, mas vagamos a esmo,
Pela vã ideia de que não nos bastamos ou somos incompletos,
E nos entregamos a essa busca por um amor obsoleto.
Procure-se nos seus atos, nas suas omissões,
Porque somos o que fazemos e somos, mais ainda,
O que não fazemos, nossos temores e tremores,
Somos infantes, imberbes, incultos, poltrões.
Mal erguemos da alma a cidadela,
E queremos unir castelos,
E nos perdemos, tíbios, ignaros,
Vivendo um amor de simulacros.
Consolide-se, concrete-se, enrijeça-se.
Seja forte, baste-se, erija muros,
Mas não esqueça da ponte levadiça,
Que descerá para a alma que lhe atiça.
E quando fores um reino forte e independente,
Encontrarás quem lhe povoe o entorno,
Que lhe envolva, enlace, enleve e enerve,
Pois amar é dor e paz, e não simples adorno...

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