segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ausência

Deixo em tuas mãos meu espírito, minha amada,
E lanço meu corpo no vazio, como quem ao mar se atira,
E no teu sorriso, procuro a noite, pela lua iluminada,
Como o náufrago que à deriva, ao céu mira.

Procuro-te entre os lençóis e só acho o nada,
A noite fria me envolve e ao meu coração enebria,
Como o viajante que não sabe o fim da caminhada,
Mas mesmo da mais dura travessia, jamais se escabria.

Sofro na tua falta a fome que sente o faminto,
E tu bem sabes, que sobre este sentir, não minto.
Pois sou teu, todo, pleno, mais do que dedicado,
Amando-te, um tanto hirto, mas ainda calado.

Porque não é hora, ainda, de desfrutar da sua presença,
Não é hora, ainda, de te sentir em meus braços,
Mas já é hora de alardear, ainda que em soluços,
O amor que só arde e queima, dor de carência!

Quero-te, mais do que nunca, menos do que amanhã.
Pois amar-te é razão de vida, ar, água, comida!
E te amo, de forma sublime, suave e intensa,
E te quero, pois não suporto mais tua ausência!

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