sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Lágrimas

Brotam-me dos olhos, vindas da fonte da alma,
Lágrimas e mais lágrimas, que descem em torrente,
Como bálsamo bendito que a essa dor acalma,
Dor que nasceu no passado, mas que ainda é presente.

Lágrimas irrigam o coração agora árido,
Preparando-o para uma nova semeadura,
Pois dor de amor é mais que prurido,
É o sol de meio dia, que intenso fulgura.

Então, que desça intenso o sincero pranto,
E que os soluços transmutem-se em canto.
A voz agora embargada de angústia e emoção,
Será a mesma que lhe dirá, com devoção,

Que te amo, que te quero e que te preciso,
E onde havia o deserto, haverá aceso,
O amor de outrora, renovado, pleno e irrigado,
Pelo choro, como o pecado d´alma extirpado!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O Beijo

Beijo é preâmbulo, mas também é epílogo.
Nada mais íntimo do que um beijo úmido,
Em que os corpos se aproximam,
E pelas bocas, as almas se unem.
Beijo é átrio, pórtico, ementa,
Algo como um trailer de filme,
Que algumas cenas apresenta.
Beijo é paixão, beijo é oi, beijo é tchau,
Beijo é tanta coisa, para o bem e para mal.
Com o beijo se ama, mas com o beijo, já se traiu...
E beijo é poesia, benção terna que o amor ungiu.
Beijo é dedicação, entrega, não beije pela metade,
Ainda que furtivo, roubado, beijo é potestade.
Respiração descompassada, corações acelerados,
Olhos nos olhos, ainda que fechados!
Beijar é arte, complexa, mas não tem ciência,
E beije, entregue-se, ame, sem auto clemência.
E se na hora do amor, lhe faltar o verbo,
Se junto a quem se ama, lhe faltar o vocábulo,
Não hesite, traduza o amor, no mais tórrido ósculo!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ausência

Deixo em tuas mãos meu espírito, minha amada,
E lanço meu corpo no vazio, como quem ao mar se atira,
E no teu sorriso, procuro a noite, pela lua iluminada,
Como o náufrago que à deriva, ao céu mira.

Procuro-te entre os lençóis e só acho o nada,
A noite fria me envolve e ao meu coração enebria,
Como o viajante que não sabe o fim da caminhada,
Mas mesmo da mais dura travessia, jamais se escabria.

Sofro na tua falta a fome que sente o faminto,
E tu bem sabes, que sobre este sentir, não minto.
Pois sou teu, todo, pleno, mais do que dedicado,
Amando-te, um tanto hirto, mas ainda calado.

Porque não é hora, ainda, de desfrutar da sua presença,
Não é hora, ainda, de te sentir em meus braços,
Mas já é hora de alardear, ainda que em soluços,
O amor que só arde e queima, dor de carência!

Quero-te, mais do que nunca, menos do que amanhã.
Pois amar-te é razão de vida, ar, água, comida!
E te amo, de forma sublime, suave e intensa,
E te quero, pois não suporto mais tua ausência!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Semeando o Amor


Quando amares alguém, faça-o incondicionalmente.
Não há amor verdadeiro que imponha exigências,
Não é real a paixão que demanda indulgências.
Pois amar é como arar o deserto e nele, por uma semente.

O amor fica a mercê do clima, das chuvas,
E sob o sol inclemente, a vista turva,
Miragem, sede, torpor, muita dor!
E o que ao sofrimento aplaca? Mais amor...

Quem ama escreve uma longa carta ao léu,
Não se sabe que resposta virá, se lisonja ou labéu...
Quem ama simplesmente semeia o que sente,
Mas a colheita de muito mais depende!

A caravana dos que semeiam o sentimento supremo,
Segue lenta, sem pressa, porque tudo tem o seu tempo,
Ainda que o tempo do amor nos pareça lento.
E ame, intensamente, porque para quem ama, não há lamento!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Submissão


Queria ser o Sol que te ilumina
E admirar tudo o que fazes,
Ser submisso ao teu pudor,
E à tua Sublime Vontade.
Far-me-ia teu escravo,
Seria teu Servo,
Minha Deusa Suprema!
Beberia teu suor com deleite,
Choraria as lágrimas que não tiveres,
Pelo puro, e complexo,
Prazer, de poder,
De alguma maneira,
Amar-te!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Recomeço

Nada é eterno, nem o amor mais intenso.
Ele se consome em brasa, como um incenso,
Que à nossa vida suavemente perfuma,
E se esvai, como tênue bruma.
E não é porque um amor se perdeu,
Que outro não poderá algum dia vir.
Se hoje não tens alguém para ser seu,
Não há razão para não sorrir.
Recolha-se, medite e entenda,
Que amor eterno não é mais que lenda.
Renove-se, recrie-se, ame-se acima de tudo,
Porque o fim de um amor não é razão para luto.
Dispa-se dos hábitos cultivados outrora,
E siga em frente, sem nenhuma demora.
Reerga-se, aprume-se, pois é no seu recomeço,
Que a sua nova paixão mora.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Partida

Nada há que emende o que se parte,
Quando não há vontade de uma parte.
Nada há que possa reviver o que passou,
Quando o sentimento acabou.

A vida é um mar revolto, com alguma calmaria,
E na tormenta, não se conserta o barco.
Mas, depois de zarpar, não se volta ao porto,
Ou ao destino nunca se chegaria.

Se a rota traçada não é mais a que lhe apraz,
Pode até abrir o sol, ou cair a chuva, tanto faz.
Porque nada há de lhe manter neste prumo,
E é sábio manejar o leme, mudar o rumo.

Partiu-se o cristal, quebrou-se a porcelana,
Foi-se o amor, nada restou daquela sanha...
Ergam-se as velas, infle-se a bujarrona,
E que venha a alvorada, de uma nova manhã...

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Falácias

Não use belas palavras para dizer uma mentira.
O que difere o remédio do veneno, é a dose,
E a atitude que mais ilude, nada é senão pose.
E sim, há quem com as palavras aos outros fira.

Preserve a verdade, vigiai o pensamento,
E não incuta em ninguém o mal, o ruim,
Não pretenda dar a quem quer que seja,
Senão o seu melhor sentimento.

Se nada tiveres a dizer, cale-se.
Melhor teu silêncio do que uma falácia,
Se mentir vicia, pior em contumácia!
E o que não é sincero, falece.

Não ouse nada dizer, sem antes muito pensar.
Porque quem fala o que não sente,
Por mais belo que seja o falar,
Ele não esconde o que tens em mente...

Consolidação

Não se procure no próximo, pois estamos em nós mesmos.
Nosso eu está onde menos esperamos, mas vagamos a esmo,
Pela vã ideia de que não nos bastamos ou somos incompletos,
E nos entregamos a essa busca por um amor obsoleto.
Procure-se nos seus atos, nas suas omissões,
Porque somos o que fazemos e somos, mais ainda,
O que não fazemos, nossos temores e tremores,
Somos infantes, imberbes, incultos, poltrões.
Mal erguemos da alma a cidadela,
E queremos unir castelos,
E nos perdemos, tíbios, ignaros,
Vivendo um amor de simulacros.
Consolide-se, concrete-se, enrijeça-se.
Seja forte, baste-se, erija muros,
Mas não esqueça da ponte levadiça,
Que descerá para a alma que lhe atiça.
E quando fores um reino forte e independente,
Encontrarás quem lhe povoe o entorno,
Que lhe envolva, enlace, enleve e enerve,
Pois amar é dor e paz, e não simples adorno...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Intuição

Mente quem diz que vive da razão,
Ainda mais quando se trata de amor.
Amar não é ciência exata, ama-se, ponto.
E quanto mais se ama, mais se fica tonto.

O amor inebria, como a mais forte bebida,
E quanto mais ébrio, mais funda a ferida.
Amar fere, corrói, amor é a droga mais severa!
Vicia, marca, destrói, derrete, depaupera!

Mas ainda assim, o que é da vida sem o amor?
Sem a paixão que lhe dá o sentido,
O que é do poeta sem a rima, a métrica,
Que lhe permitem viver, ainda que ferido.

Amar não é pensar, não é cogitar, é sentir.
Ama-se, sente-se, sofre-se, morre-se.
Porque no amor, nunca há razão,
Ame às cegas, guie-se pela intuição!

Conflito

Conflito
Se por fora sou uma linda manhã de sol,
Por dentro, sou a noite depois do arrebol.
Se mostro um céu azul, em nada nublado,
Por dentro sou trovões, ainda que calado.
Se por fora sou o mais saboroso mel,
Por dentro sou acre, o mais azedo fel.
Se por fora sou fruto maduro, formoso,
Por dentro sou limão, do mais amargoso.
O conflito, o desencontro, é o que se apresenta,
Quando após o sol, no céu se forma a tormenta.
Ciclone de ventos sinistros, que a tudo varre!
E não há nada que ao chão à minh´alma amarre.
Decola, em meio à tempestade, nuvens negras,
E voa, destino incerto, pois claro é o sol entre as gretas...