terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Há Esperança!

Saí de casa no horário habitual e, como minha mãe tinha usado meu bilhete único no fim da semana passada, não sabia do saldo do dito.
Na Rua São Miguel, apanhei o 603, felizmente com o ar funcionando, e fui passar na roleta, quando a máquina da FETRANSPOR acendeu o led vermelho e sentenciou: - SALDO INSUFICIENTE.
Não costumo pagar senão a água do camelô em dinheiro, pelo que muitas vezes não tenho troco. A passagem custa 2,00. Saquei uma nota de 50,00, a única que eu tinha e o motorista/cobrador, desanimado: - Ih, "grande", tenho troco não. Segunda viagem, tá ruim...
Disse isso já engatando a primeira marcha, o que já me impedia de descer e voltar em casa para pegar um trocado. Eu ia descer no próximo ponto e andar até a Rua Conde de Bonfim, quando uma senhora, vestida humildemente, de havaianas, mas empunhando um Samsung S4 (sim, celulares caros não são raros), disse, solícita: - O Senhor pode passar, eu pago a sua passagem.
Eu confesso que não acreditei. Essa solicitude é tupiniquim, é carioca. Talvez em alguma cidade do interior, mas a Usina é uma cidade do interior. Eu nem soube como agradecer, fiquei extremamente constrangido, porque vi que R$ 2,00 fazem diferença no orçamento diário daquela senhora, mas eu aceitei, porque eu a constrangeria se não aceitasse.
Saltamos no mesmo ponto, eu ainda perguntei se ela ia pegar o metrô, o que me daria a chance de pagar a passagem dela, mas ela não, saiu apressada, com duas bolsas pesadas, arrastando as havaianas e grudada no celular.
Marquei bem seu rosto, ela deve pegar o ônibus no mesmo horário. Vou andar com R$ 2,00 no bolso, até que eu consiga retribuir a gentileza.
Bom dia, boa terça.

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